FONOLITO: A pedra do SOM
Teatro e performance · criação · 2026
Teatro e performance · criação · 2026
FONOLITO: A pedra do SOM é um projeto de criação teatral concebido e dirigido por Lucas França que investiga os processos de monumentalização, turistificação e transformação do espaço urbano de Lisboa. A criação parte da ideia de que os monumentos não são estruturas neutras: selecionam acontecimentos, constroem versões da história e participam tanto na produção da memória coletiva como nos seus apagamentos.
O título nasce da imagem de uma pedra capaz de conservar e devolver sons. Em FONOLITO, o monumento é pensado como um corpo que acumula vozes, ruídos, conflitos, silêncios e experiências. A partir dessa imagem, o projeto procura tornar audíveis narrativas e presenças que não encontram inscrição visível nas representações oficiais da cidade.
SOBRE O PROCESSO
FONOLITO desenvolve-se a partir da observação e da experiência direta da cidade. O processo combina derivas em territórios de Lisboa, ações performativas no espaço público e recolha de materiais escritos, visuais e sonoros. Essas experiências não funcionam como uma pesquisa separada da obra, mas como parte do próprio processo de criação: deslocamentos, encontros e ações produzem materiais que alimentam a dramaturgia.
As performances são concebidas como acontecimentos autónomos e, ao mesmo tempo, como laboratórios para a escrita. A dramaturgia constrói-se a partir dos materiais produzidos nesses encontros com a cidade e é posteriormente colocada à prova em leituras encenadas. O projeto estabelece, assim, um movimento entre território, ação e escrita, fazendo do espaço urbano uma matéria ativa da criação.
PERCURSO DE CRIAÇÃO
PESQUISA TERRITORIAL
O processo parte de derivas e práticas de observação em diferentes territórios de Lisboa, entre eles Belém, Graça e Baixa. Caminhar, permanecer, observar e recolher materiais permite investigar como monumentos, fluxos turísticos e transformações urbanas organizam as formas de ver, recordar e habitar a cidade.
AÇÃO E DRAMATURGIA
Os materiais produzidos na pesquisa são deslocados para ações performativas, experimentações e escrita. Textos, imagens, sons, gestos e situações encontradas na cidade tornam-se matéria dramatúrgica e são posteriormente reorganizados em leituras e outras etapas do processo de criação.
CONTINUIDADE DA PESQUISA
FONOLITO dá continuidade a uma investigação sobre o espaço urbano de Lisboa iniciada em Palimpsesto: O que se apaga para escrever de novo? (2024). Enquanto o primeiro trabalho se aproximava dos apagamentos produzidos por processos de transformação urbana e gentrificação, FONOLITO desloca a pesquisa para os monumentos, o turismo de massa e os modos como a cidade organiza aquilo que pode ser lembrado, visto e escutado.
A relação entre os dois trabalhos não está na repetição de uma forma cénica, mas na compreensão da cidade como matéria ativa de criação. Em FONOLITO, essa investigação passa pelos monumentos e pelos espaços que os rodeiam, observando as tensões entre memória, representação, uso cotidiano e consumo turístico.
FICHA ARTÍSTICA
Conceção, direção e dramaturgia
Lucas França
Criação e interpretação
Andreia Galvão, Natacha Campos, Nylon Princeso, Peter Arcanjo e Rute Rocha Ferreira
Orientação dramatúrgica
Diogo Liberano
Figurinos e adereços
Sancha Viana
Fotografia
Raquel Pimentel
Audiovisual
Kimmy Simões
APOIOS
Apoio
Fundação GDA
Câmara Municipal de Lisboa
Apoio à divulgação
Gerador