RE.CLA.MAR cria um púlpito temporário onde pessoas deslocadas dos seus territórios são convidadas a reclamar livremente. A performance parte da tensão entre o direito de reclamar e a vulnerabilidade que pode atravessar a pessoa migrante quando questiona, critica ou manifesta insatisfação em relação ao país em que vive.
Ao ocupar o púlpito, cada participante decide o que deseja tornar público e durante quanto tempo deseja falar. Reclamações, experiências pessoais, questões políticas, gestos, hesitações e silêncios passam a constituir a própria matéria da ação. O dispositivo transforma a reclamação num exercício de tomada da palavra e produz um arquivo das diferentes formas de presença que atravessaram aquele espaço.
SOBRE A AÇÃO
RE.CLA.MAR parte de uma pergunta simples: quem pode reclamar e em que condições essa reclamação pode tornar-se pública? Para uma pessoa migrante, o gesto de criticar ou questionar o lugar onde vive pode ser atravessado por relações de poder, medo, precariedade e pela expectativa de gratidão em relação ao país que a acolhe.
A performance cria uma situação em que essa fala pode ocupar o centro do espaço. O púlpito não representa uma autoridade previamente estabelecida; é ativado sucessivamente pelas pessoas que decidem aproximar-se e tomar a palavra. A ação desloca, assim, a reclamação de um gesto frequentemente desqualificado para uma forma pública de presença, escuta e dissenso.
Conceção e performance
Lucas França
Captação de som
Hugo Vasconcelos
Fotografia
Raquel Pimentel
Realização
26 de janeiro de 2026
Local
UM, Instituto do Paradoxo Aplicado / FICA Imigrante
Lisboa, Portugal
Apoio
Fundação GDA