Entre nó(s)
Teatro e performance · criação · 2026–2027
Teatro e performance · criação · 2026–2027
ENTRE NÓ(S) é um projeto de criação dirigido por Lucas França que investiga experiências migratórias em Lisboa a partir de um percurso de quatro ações performativas e da escrita de um texto teatral inédito. RE.PA.RAR e RE.CLA.MAR constituem as primeiras experiências desse percurso; SUS.TEN.TAR e DES.CUL.PAR / CU.RAR dão continuidade à investigação, deslocando-a para outras formas de participação, encontro e construção coletiva. O projeto articula performance, espaço público e dramaturgia, tendo como eixo questões de interdependência social, deslocamento e possibilidades de reconciliação.
A criação parte de uma escolha metodológica central: pessoas migrantes não são tratadas como objeto de representação, mas como participantes e coautoras do processo. Encontros, conversas, ações coletivas, registos e experiências partilhadas tornam-se matéria para a construção dramatúrgica. A obra não é definida antes da experiência, mas produz-se a partir das relações e dos materiais gerados ao longo dessas ações.
SOBRE O PROCESSO
O processo de ENTRE NÓ(S) desenvolve-se como uma investigação de longa duração. RE.PA.RAR e RE.CLA.MAR produziram encontros, conversas, vozes, imagens e outros registos que constituem as primeiras camadas desse percurso. A partir dessas experiências, SUS.TEN.TAR e DES.CUL.PAR / CU.RAR criam novos dispositivos de participação e encontro, ampliando a investigação sobre migração, interdependência, pertencimento e possibilidades de reconciliação.
Em vez de partir de uma dramaturgia previamente definida, o projeto cria situações para que as experiências das pessoas participantes produzam os materiais que serão posteriormente retomados na escrita teatral. As quatro performances relacionam-se como etapas de um mesmo percurso de investigação, fazendo com que cada ação acrescente novas experiências, palavras, gestos e questões ao processo.
Os materiais produzidos ao longo desse percurso serão retomados em laboratórios de escrita e transformados num texto teatral inédito. O processo culmina em leituras de trabalho, nas quais esse material dramatúrgico poderá ser partilhado com o público como parte do próprio percurso de criação.
PERCURSO PERFORMATIVO
RE.PA.RAR
A performance parte dos diferentes sentidos da palavra reparar e cria situações de escuta com o público. Realizada no contexto da exposição complexo brasil, convidava visitantes a conversar sobre aquilo que, nas suas experiências pessoais, relações ou no mundo que habitam, consideravam necessário reparar. As conversas, mediante consentimento, eram registadas em áudio e tornaram-se matéria para uma peça sonora.
22 e 29 de novembro de 2025 · 10 e 17 de janeiro de 2026
Galeria do Piso Inferior, Fundação Calouste Gulbenkian
Lisboa, Portugal
RE.CLA.MAR
A performance criou um púlpito temporário onde pessoas deslocadas dos seus territórios eram convidadas a reclamar livremente. A ação partiu da tensão entre o direito de reclamar e a vulnerabilidade que pode atravessar a pessoa migrante quando questiona o país em que vive, produzindo um arquivo de vozes, imagens, gestos, hesitações e silêncios.
26 de janeiro de 2026
UM, Instituto do Paradoxo Aplicado / FICA Imigrante
Lisboa, Portugal
NOVAS AÇÕES
SUS.TEN.TAR
É uma ação coletiva no espaço público desenvolvida com artistas migrantes. A performance parte de encontros preparatórios em que são definidos conjuntamente os materiais cénicos e a ação física, fazendo do próprio processo de criação um espaço de escuta e construção partilhada.
Entre os materiais previstos estão camisetas com a palavra “imigrante” e blocos gravados com palavras que nomeiam contribuições da comunidade migrante para a sociedade portuguesa. Esses elementos tornam visível a relação entre migração, presença e participação na construção da sociedade em que se vive.
DES.CUL.PAR / CU.RAR
É uma ação participativa realizada com pessoas da comunidade migrante, sem exigir experiência anterior no campo artístico. A performance é construída a partir de encontros nos quais são elaborados coletivamente “termos de perdão”, posteriormente utilizados como material cénico e como registo da ação.
Ao deslocar o gesto de perdoar para uma construção coletiva no espaço público, a ação abre uma investigação sobre aquilo que pode ser nomeado, elaborado e partilhado entre pessoas atravessadas por experiências de migração. O dispositivo permanece aberto às palavras e experiências produzidas pelos próprios participantes.
FICHA ARTÍSTICA
Conceção
Lucas França
Direção artística
Lucas França
Dramaturgia
Lucas França
Performance
Peter Arcanjo, Nylon Princeso, Rute Rocha Ferreira, Clara Bevilaqua, Vanessa Amaral, Paola Vasconcelos, David J. Amado, Andreia Galvão e Gabriela Hedegaard
Apoio à criação e olhar externo
Tales Frei
Orientação dramatúrgica
Diogo Liberano
APOIO
Direção-Geral das Artes
UM – Instituto do Paradoxo Aplicado